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Cultura Indígina no Currículo Escolar

Formação da criança e da alma brasileira

Proposta para elaboração de apostila que sirva de base (guia), para professores de escolas Waldorf.

Roteiro dos trabalhos

 

Prefácio: A importância pedagógica da cultura indígena para a educação da criança brasileira, abordado sob um novo prisma (Edna)

 

Introdução: prenúncios de um povo dourado (Chão e Gente – número 20/Ute)

"Por volta das 17:00 horas de uma tarde de Domingo, em São Paulo, cerca de 50 pessoas afluíram para participar de um grupo de estudos sobre a alma do povo brasileiro: quase todos brasileiros, quase todos interessados em antroposofia ou atuantes em instituições antroposóficas como professores, médicos, marceneiros, euritmistas ou trabalhadores sociais. Durante a rodada de apresentações, solicitou-se que cada um se apresentasse não apenas citando seu nome, mas também sua origem, ficando aí claro que as mais diferentes etnias e miscigenações estavam ali representadas: portugueses, africanos, alemães, mexicanos, espanhóis, árabes, suíços, italianos, franceses, japoneses e, é claro, também os primeiros habitantes do Brasil, os índios".

 

Extrato: "Terra dos Mil Povos" e "Tenondê" (Kaká Werá)

"O Brasil é a terra dos mil povos. O seio que abrigou os filhos de muitas terras estrangeiras e que alimentou, com amor de mãe genuína, os milhares de povos indígenas que aqui habitavam há cerca de 15 mil anos. Quem eram e o que pensavam os primeiros habitantes desta terra? Tupi, Guarani, Tupinambá, Tapuia, Xavante, Kamayurá, Yanomami, Kadiwe, Txukarramãe, Kaingang, Krahô, Kalapalo, Yawalapiti. São nomes que pulsam no chão dessa terra chamada Brasil, formando suas raízes, troncos, galhos e frutos. São raças? Nações? Etnias?

São a memória viva do tempo em que o ser caminhava com a floresta, os rios, as estrelas e as montanhas no coração e exercia o fluir de si.

Esses clã, tribos, povos têm uma árvore em comum que remete aos nomes: Tupy, Jê, Karib e Aruak. Mas, antes da chegada das Grandes Canoas dos Ventos do século XVI, o que podemos chamar de povo nativo era olhado e nomeado, do ponto de vista tupi, como Filhos da Terra, Filhos do Sol e Filhos da Lua..."

 

Explicação do Símbolo dos quatro portais

Segundo Kaká Werá, além do eixo, são erguidas as quatro colunas de sustentação da Terra: o nascente, o poente, o sul e o norte. Os antigos pajés chamam também veladamente de "as quatro respirações da Grande Mãe".

Extrato do último capítulo do livro Alma Ancestral do Brasil de Roberto Gambini (sociólogo e terapeuta junguiano)

"A compreensão da psique individual nunca se completa sem o concomitante conhecimento da coletividade à qual pertence... ainda está por se conceber uma História do Brasil pelo prisma psicológico, a busca de um fio que nos ajude a entender como se formou a alma brasileira... uma essência que nos faz ser quem somos e sobre a qual se constrói uma identidade coletiva".

Texto sobre a Origem dos índios (Kaká Werá)  

 

A vida das crianças (Kaká Werá - Marina e Cida)

As crianças acompanham todos os afazeres. Não existe o ensinar e sim o acompanhar.

 

Itens a serem abordados na apostila

 

Vídeos/filmes: Yanomami "Brincando nos campos do Senhor"; Arauetê (povo tupi que vive hoje como era originalmente); Aweupebe (vídeo do cotidiano do índio Xavante); documentários da TV Cultura e dos Instituto Sócio Ambiental/ISA (socioambiental.org), Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)/USP (memorial.org.br) e Instituto Arapoty (peiropolis.org.br); entre outros.

 

Músicas e CDs: Discos "Kvt" (atrás do metrô Santa Cruz); (instrumentos/cânticos); Nande Reko Arandu/Projeto Memória Viva Guarani/O Cântico das crianças (9293-2030)

Língua Tupi: durante 300 anos se falou tupi no Brasil, (tupi.carioca.net; painet.com.br/joubert)

 

Danças: crianças guarani (Aldeia Rio Silveira/São Sebastião (São Paulo); Aldeia Sapucai/Angra dos Reis (Rio de Janeiro); Aldeia Morro da Saudade/Parelheiros (São Paulo) e Aldeia Guarani/Ubatuba

  

Poesias: (nossos poetas e também dos próprios índios)

 

Desenhos: de formas, grafismos (apêndice)

 

Jogos/brincadeiras: www.escolaoficinaludica.com.br/cursos/dbordo.htm

 

Lendas (mandioca, milho, estrelas...)

 

Cosmovisão(comparando com a cosmovisão antroposófica)

 

Comidas indígenas (alimentação): raízes, peixe, caça

 

Bibliografia (por idade): Xavante (Auwê Uptabi: povo autêntico) Bartolomeu Giaccaruia e Adalberto Heide/Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso); Guarani: “La civilizacion Guarani/Humberto Bertoni); Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem tupi, de Antônio Geraldo da Cunha, editora Melhoramentos; Suchanthe, o Continente do Kolibri (alemão); Os Mistérios do México, de Rudolf Steiner; Lendas do índio brasileiro, de Alberto Costa e Silva; Os bororós orientais, da Companhia Editoria Nacional, Coleção Brasiliana

 

Vivências e passeios: excursões visitas em museus e aldeias (Krucutu; Cabreúva/Sítio do Sol)museu do índio, vivências com índios

 

Sites: www.alomundo.com.br (revista sem fronteiras); www.ideti.org.br (Instituto de Desenvolvimento das Tradições Indígenas/3277-7850); jecupe@ig.com.br (Kaká Werá); Instituto Sócio Ambiental/ISA (www.socioambiental.org) Instituto de Estudos Brasileiros (IEB)/USP (www.memorial.org.brwww.escolaoficinaludica.com.br/cursos/dbordo.htm; www.peiropolisd.org.br (Fundação Peirópolis).

   

Ritmos e Ritos

  O ritmo varia de povo para povo devido aos eco sistemas. O povo Krao é da Caatinga/Cerrado Brasileiro. Atualmente é um povo de roçado, que planta (antigamente não plantavam).Levantam cedo (4 horas da manhã). Antes de sair para trabalhar correm em volta da aldeia, carregando um tronco de buriti, para acordar o espirito com cantos. Inicia-se o trabalho na roça de mandioca, inhame e milho.

Às 11horas se recolhem e voltam para as aldeias; repousam à beira do rio. Almoçam uma refeição abundante: arroz, mandioca, inhame, peixe; tapioca e frutos. Reúnem-se para cantar. Os caçadores fazem expedições de caça, (antes cantam canções para os espíritos da natureza/se não cantarem o seu povo acaba). Tem o puxador de cantos com maracá. Alguns cantos são milenares e outros são sonhados (semiconscientes). Os Kraos fazem tudo junto.

A tora (tronco de buriti) está presente em todas as culturas, significa espírito ancestral.

Na Aldeia Guarani cada família escolhe seu ritmo. As tarefas são: coleta para comida e artesanato. A tarde as famílias se reúnem na Casa das Orações (opã), onde cantam, escutam os ensinamentos do Pajé e fazem orações de cura. É lá que se transmitem as tradições. Os doentes também ficam nesta casa. Os Guarani, cada roça é pessoal (antigamente eles eram caçadores e coletores). Antes eles tinham uma roça de milho que tinha um significado espiritual (o milho representava o seu ancestral "Avati"). Hoje a sua roça é um alimento.

Yanomami: estão imersos na Amazônia. Ainda vive em ritmo de coleta (bananas e frutos silvestres); pesca. Ritmo relacionado a cheias e vazantes do rio. Em época de estiagem ocorrem as festas e cerimônias (plantas alucinógenas). Em época de cheia se dedicam mais ao trabalho.

Comentário geral: temos 216 etnias indígenas. Todos estes povos pela manhã fazem o seu trabalho, seja ele coleta, pesca, roça, artesanato. A noite o ritmo é de agradecer os espíritos, através de cantos, danças e ritos.

O índio trabalha por gosto, por prazer. Não separa trabalho e lazer. O trabalho é um prazer. Se vai caçar ou pescar sempre faz uma pequena cerimônia, pedindo permissão aos espíritos.

 

Calendário indígena: Aracaju - calendário do caju; calendário da mandioca e povo do sul tem o calendário do milho. O Krao tem calendário lunar...

 

Ritos de Passagem

 

"Rito de passagem não é arte, balé ou mesmo o que costumamos entender por dança; muito menos folclore. É a oportunidade rara, única, de experimentar uma conexão com o universo mágico em que vivem os povos indígenas".

 

Ao nascer a criança tem um rito de passagem, recebe a fumaça abençoada pelo pajé. Quando a criança se coloca de pé e fala, ela recebe o batismo do pajé. O ritual começa às três da madrugada e vai até o amanhecer. Canta-se canções da origem do mundo. A criança é apresentada pelo padrinho e recebe seu nome, que é intuido pelo pajé, de acordo com o Pai espiritual (ancestral) da criança. Segundo Kaka Werá Jecupé (Clarão Dourado do Raio no Chão), existem sete pais espirituais, cada um representa uma força da natureza: terra, fogo, água, vento, mineral, vegetal e animal. Os nomes são escolhidos entre o reino animal, mineral e vegetal. O segundo ritual de passagem é quando as crianças saem do círculo da aldeia (com 12/13 anos). Nesta fase se faz uma briga com tapuava (?). É nesse momento que param de atirar flechas no chão e passam a atirar em um alvo. Com 17 ou 18 anos os jovens dançam uma luta com as mãos para trás. Lutam com o coração.

Rito Guaraci: Corá (fala-se com o sol)

 

Rito da Terra/do guerreiro: são 33 dias, divididos em quatro tempos (etapas). O objetivo é se tornar um Avaí, um ser íntegro. Em um círculo criado pelo pajé, o jovem passa quatro, sete, nove e 13 dias dentro do círculo, num lugar desconhecido, sem alimentos. Após os quatro primeiros dias já podem casar.

 

Outra iniciação é colocar a mão em um formigueiro (funciona como uma vacina).

 

Rito da lua: a mulher após a primeira menstruação fica fechada durante 28 dias em uma oca, quando sai acontece uma grande festa na aldeia e ela já pode namorar.

 

Xavante: no inverno, o jovem fica três semanas cantando em um rio , só podem comer frutas e tomar água. Batem palmas e cantam para os seres da água. Chegam a entrar em transe.

 

Rito do choro/morte: durante mais ou menos três dias, pode-se chorar pelo morto. Depois, durante duas luas queima-se tudo que pertence ao falecido e não se pode mais chorar, sentir saudade e nem pronunciar o seu nome. Desta maneira, o Xavante liberta o morto desta vida. Em seguida, recolhe-se duas toras de buriti. Uma representa os ancestrais e outra o espírito da pessoa que morreu. Levam os buritis para as águas de um rio. Este ritual simboliza a travessia para a outra margem.

 

Os ritos podem exercer efeito revitalizador em quem assiste. Um exemplo disso foi sentido em abril de 2002, quando seis etnias indígenas apresentaram seus rituais em São Paulo, no Parque da Água Branca. Em um dos rituais do povo Bororo, uma integrante do Grupo Pindorama, Monica Melo, chegou ao espaço de convivência, onde acontecia o rito, completamente desvitalizada e com muito sono e ao final da cerimônia estava desperta e revitalizada.  

 

 

Encontros com Kaka Werá Jecupé  

 

Kaka Werá Jecupé é filho de pais tapuias,  

 

Canto de abertura, invocando a fraternidade

 

Reverenciando a mãe Terra e ao nosso Eu maior

 

Sua família vem de um povo chamado de Tapuia (ou txucarramãe/que quer dizer guerreiros sem armas), do Norte de Minas Gerais que era um povo que não se fixava em terras, como a maior parte dos povos indígenas, embora alguns se fixam mais como os Tupi. A família tinha uma estrutura cultural de grupo bem disperso e vinha de uma série de conflitos. Seus tios e avós foram parar nas regiões do Xingu, Pará e Tocantins, permanecendo em aldeamentos. Outros familiares tornaram-se índios desaldeados, como definem os antropólogos, e foram morar em regiões dispersas de Minas Gerais, como Montes Claros, Sete Lagoas, Governador Valadares e a conviverem com a sociedade não indígena. Seus pais migraram para São Paulo e Kaká nasceu na Zona Sul, próximo da represa Guarapiranga e na infância viveu com os Guarani daquela região.

Na sua adolescência ele se tornou um Guarani, especialmente por um Pajé centenário, Tiramãe Werá. Kaka Werá envolveu-se profundamente com a busca de uma compreensão de sua própria cultura, uma vez que seus pais já haviam fragmentado esta tradição.

Junto com os Guarani, Kaká começou, na década de 80, o trabalho que ele faz até hoje, na Aldeia onde hoje é Parelheiros e em outra aldeia que hoje é a aldeia do Rio Branco, próximo de Itanhahem.

No início da década de 80 existia o projeto Capivari Monos, de desaldear os povos que moravam naquela região e de ali construir uma hidrelétrica e foi ai que ele envolveu-se na questão da luta com o povo Guarani e a conhecer a saga desse povo, que começa com a dispersão com a chegada dos espanhóis, na época das Missões e termina no Espirito Santo, no século passado.

Nesse trabalho de busca, de pesquisa, Kaka Werá viveu em muitas aldeias Guarani, do sul até o Espírito Santo, passando pelo Paraguai. Ele participou de muitos encontros de povos indígenas, com povos da América do Sul, América Central, América do Norte. Estes encontros eram o início do cumprimento de uma profecia, que muitos sábios desses povos haviam feito, que falava do momento em que a grande Nação vermelha iria se reunir novamente, que eles chamam do encontro da águia, do condor e da serpente, símbolos da nações indígenas de Norte a Sul, envolvendo todas as Américas.

No compartilhar destes encontros, Kaká foi fortalecendo os ensinamentos que ele recebia e a tarefa de difusão dos valores sagrados da cultura indígena e de trabalhar com povos remanescentes, no sentido de fortalecer o espírito cultural e ancestral indígena.

Este trabalho ele tem feito através do Instituto Arapoty, palavra que significa renascimento. Existe uma grande degeneração dos povos indígenas a partir do século XVI e o objetivo do Instituto é reconstruir esta cultura, os valores primordiais desses povos.

Kaká trabalha socialmente com quatro povos: Guarani (entre Rio, São Paulo até Santa Catarina), Krenak (Minas Gerais) Cariri e Pataxó (do Nordeste) e pessoalmente trabalha com o aprendizado transmitido por ensinamentos de grandes Pajés, com a cura através da natureza, através de ervas medicinais e com a transmissão da história através dos livros.

Um projeto atual do Instituto é utilizar o computador para estreitar a comunicação e trocar as culturas entre esses povos, nas aldeias perto da sociedade urbana, e que estejam preparadas para isso.

 

Povo Guarani

O povo Guarani tem toda sua cultura em reservas no litoral paulista, carioca, catarinense; em pontos de passagens de sociedades não indígenas. Estas reservas são normalmente pequenas, em relação à população que vive nelas, praticamente é uma população pescadora e caçadora, mas que atualmente por ter esgotado estes recursos naturais, e como não dá mais para viver destes sistemas, acabam vivendo basicamente da confecção e venda de artesanato e alguns guarani do litoral vivem da venda de bromélias e palmitos. Isso altera o cotidiano de uma aldeia. Para o guarani do passado, o comer, o vestir, tinha uma conjugação mais fechada com a sua cosmovisão, hoje já não é possível ser assim, não só porque eles se alimentam de produtos comprados em supermercados, não é só o tipo de alimento, mas principalmente porque antigamente tudo era mais ritualizado e até para se alimentar existiam cerimônias diárias, o sentido do alimento passava por um cerimonial diário.

O Guarani hoje veste-se, come, vive e convive como qualquer cidadão da sociedade não indígena. Nos momentos dos cerimoniais é importante estar em sintonia com os principais rituais, que alguns antropólogos chamam de folclore ou de crença, mas a pintura, o cocar, se mantém nos principais cerimoniais. O dia-a-dia dos Guarani, que é um povo que tem muitos problemas é de acordo com sua cosmovisão. O relacionamento do Guarani com seu cotidiano flui totalmente dentro de suas leis.

A cosmovisão do Guarani está muito ligada à linguagem. Falar é emitir espírito. O eixo da cosmovisão Guarani está nesta relação, existe uma lógica. Mesmo com a mudança de seus hábitos alimentares, mas a cosmovisão, a prática, o relacionamento dificilmente vai mudar, se mudar acaba a cultura.

Existe o momento do recolhimento, começo da noite, quando o sol se esconde, quando a noite vem. São entoados os cantos sagrados, os cerimonias, conexão com a espiritualidade. O momento em que esta cosmovisão é fortalecida, é renovada. Nesta hora eles tocam rabeca, aliás, os guarani no século XVI aprenderam a fazer rabecas com os jesuítas e exportavam mais de cem mil rabecas por ano para a Itália, antes eles tocavam o imbaracá mirim, instrumento que eles tocam ao entardecer, junto com maracás e cantos sagrados que falam de ensinamentos e valores e revivem esta cosmovisão.

Uma aldeia guarani hoje tem casas construídas de maneira rudimentar, muito simples, muitas vezes de pau a pique. Como a cultura indígena vive tradicionalmente daquilo que a natureza em volta oferece e como falta material, então as casas refletem esta carência de coisas e falta também estrutura de saneamento, banheiros, tanques de lavar roupa (antigamente não se usava muita roupa, então tanque não era necessário). Sob o olhar da civilização, as aldeias vivem em miséria e empobrecimento cultural, mas em termos de seus valores é um povo rico, onde predominam valores espirituais. Cultura e espiritualidade, para a tradição indígena, é uma coisa só.

 

19 de abril - Dia do Índio

Este dia se convencionou porque houve um massacre indígena no México e o povo mexicano reagiu, fortalecendo a identidade mexicana. O Brasil pegou esta data como referência, na época do Serviço de Proteção ao índio - SPI, na década de 70. Do ponto de vista religioso, espiritual, não foi gratuito. Este dia, virou data de luta, de reivindicação. Historiadores, antropólogos, sociológicos e até pessoas ligadas à igreja, através do Conselho Missionário Indigenista - Cimi, de posição marxista, que estimulam os índios a terem estas posições mais políticas.

Kaka Werá geralmente realiza semanas de curas, nesta data, e atividades culturais. Tradicionalmente o índio não é marxista, ou político, é um ser da natureza.

Para os ancestrais, os seres que já cumpriram suas etapas encarnatórias na Terra, muitos não têm mais permissão para reencarnarem aqui, mas que assistem em outros níveis e acompanham a caminhada da humanidade, nos chamamos de Tamãe ou Tamoio (como, ficou aportuguesado, que significa, ancião, antigo, espíritos ancestrais, velhos).

O povo Tupi tem a sua origem nos primórdios da Terra, na primeira raça humana encarnada, que era chamado de povo vermelho, os filhos do sol, os tupanos. Esse povo, segundo informações de pajés, chegou ao seu amadurecimento neste mesmo lugar onde hoje é o Brasil. Aqui foi o berço, o lugar mais perto do céu, o lugar onde nossos ancestrais chegaram na sua sabedoria, na compreensão das leis da vida. Foi aqui que foi deixado os ensinamentos mais profundos a respeito dos movimentos da vida, o conhecimento antigo.

Para o povo vermelho não existia separação entre o reino dos seres dos elementos, da terra, fogo, águas e ventos e os seus superiores. Porque eles é que preparavam os seres humanos para se tornarem encarnados. Havia uma inter-relação entre o reino humano e o reino da supra natureza, cósmico.

Em um dado momento a Terra começou a receber seres que não tiveram sua etapa evolutiva como teve o primeiro povo, o povo vermelho, que veio do Sol. Então começaram a receber povos que vieram de outras estrelas e que traziam cargas pesadas desse lugar e que pesavam e desequilibravam a Terra. Ao mesmo tempo o povo daqui já tinha amadurecimento e não encarnavam mais aqui. Os antigos daqui dessa terra, dentro de um grande conselho cósmico, se prontificaram a apoiarem de tempos em tempos, a encarnação de grandes sábios, para poder equilibrar o peso que havia se desequilibrado no início dos tempos.

Na tradição tupi, para preservar o equilíbrio da Terra, não podia ser deturpada os conhecimentos e alguns seres, doze pajés velhos ficaram responsáveis pela manutenção desse conhecimento, no quarto mundo, na Quarta dimensão, sobre a região onde hoje é a Amazônia, em outro nível. Eles são chamados de guardiões da sabedoria e junto com a sabedoria de outros mestres, formam a sabedoria cósmica, formando um grande conselho. O conselho das estrelas. De tempos em tempos, sábios, mestres de um desses pontos, encarnam na terra, para manutenção e equilíbrio desse conhecimento e da terra. Isso tem a ver com ciclos e com a evolução humana.

Depois do povo vermelho, a terra se fechou e chegaram outras civilizações e de tempos em tempos, alguns desses mestres, encarnam para manter viva a sabedoria dos sábios. Nesta civilização Tupi, já tivemos três grandes mestres: arapitã, maira e urupari.

A civilização Tupi passou por muitas transformações: tupinambá, descendentes dos Tupi, migraram para o Brasil na civilização Atlantiana, nas histórias dos tupis sempre tem histórias de muitas águas; depois disso houve divisão entre dois grupos: tupinambá e tupi-guarani (estes conquistaram outras etnias que aqui já estava e quiseram impor seus conhecimentos. Os tupinambás habitaram inicialmente o Planalto Central brasileiro, só depois é que migraram para o litoral. Os remotos tupi-guarani eram conquistadores e peregrinos. De vez em quando mestres encarnavam em outras civilizações, no México, no Peru, por exemplo. A base desses mestres era "Amor e Sabedoria". Aqui no Brasil, tivemos a última encarnação, 500 anos de Cristo, de um grande tupinambá, chamado oibajubá, também chamado Flecha dourada. Em essência estes mestres ensinavam "Amor e Sabedoria" e estes mestres sempre que encarnam se colocam como filhos do sol ou como Tupinambá. São sempre seres do sol.

A cultura indígena tem o mesmo pensamento em relação ao Cristo e considera Jesus como uma dessas encarnações ancestrais e que se aconteceu no Brasil a data 19 de abril, no mesmo período da Páscoa e mesmo período do descobrimento do Brasil, embora pareça datas aleatórias, do pontos de vista espiritual, foi todo um propósito para manter esta qualidade sagrada e o que os ancestrais procuram preservar e vivificar.

Nós somos guiados, mesmo quando algo parece que está dando errado, somos guiados para manter algo maior. Estes mestres, são os mesmos espíritos ancestrais que mantém a mesma qualidade de propósito que recicla os valores sagrados, que estão registrados na memória do Brasil desde tempos remotos.

"Eu sou o início e o fim". Esta Terra foi o alfa e o ômega de várias civilizações. Aqui é onde está a memória do início e do propósito da evolução humana. Os tupis são os guardiões mais antigos dessa terra e desses propósitos.

 

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