DESPERTANDO PARA A QUESTÃO SOCIAL NO II CONGRESSO BRASIL DE PEDAGOGIA WALDORF |
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Com a profunda vontade de contribuir para uma maior consciência da vocação social da Pedagogia Waldorf, estamos disponibilizando um artigo escrito pelo Prof. Mário Zoric e a Profa. Kátia Galdi sobre o assunto Currículo Social da Escola Waldorf que foi tema de Oficina no II Congresso Brasil de Pedagogia Waldorf ocorrido no mês de julho de 2008 em Ribeirão Preto /SP. Esperamos assim, contribuir para a maior divulgação desse tema junto a toda sua comunidade escolar, bem como retratar a ela um pouco do importante no trabalho realizado nas escolas Waldorf do mundo todo. Atenciosamente, Federação das Escolas Waldorf no Brasil |
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Grupo de Mobilização ao Estudo e Discussão de um Currículo Social amparado pela Federação de Escolas Waldorf do Brasil“ Como vivem na criança e no jovem os impulsos sociais e os impulsos anti-sociais? ” Prof. Mário Zoriki (Horizonte Azul)
No sétimo ano de vida, já no primeiro dia de aula do ensino fundamental, encontramos a primeira lição sobre “o aprendizado do impulso social”: o aprender a ouvir. Assim pronuncia R.Steiner: “ ... Trata-se de,realmente, educarmos nossas crianças de maneira que elas, por sua vez, aprendam a atentar para o mundo em redor, para seus semelhantes. É este, aliás, o fundamento de toda vida social. Hoje, todos falam de impulsos sociais, mas entre as pessoas existem impulsos puramente anti-sociais. O socialismo deveria começar pelo fato de as pessoas reaprenderem a prestar atenção nos outros. Isto só será possível quando elas, de fato, aprenderem a se escutar mutuamente.(Steiner, 2003) Orientada pelo ideal da Trimembração do Organismo Social (Hahn, 2007), nasceu a primeira Escola Waldorf em 1919, para os filhos dos operários da Fábrica de Cigarros Waldorf-Astória. A idéia da “trimembração do organismo social” choca a muitos de nós, porque a consideramos utópica,ilusória;no entanto, os atuais sintomas da vida nos séculos XX e XXI: fome, caos social e violência aos recursos da natureza, esclarecem-nos sobre a necessidade de se buscar e de tornar real uma outravisão-de-mundo. Foi reconhecendo que, para o desenvolvimento de uma outra visão-de-mundo, é preciso “escutarmos” o que se revela no nosso entorno e nas nossas práticas diárias (de educadores e educandos) que foi levado ao II.Congresso Brasil de Pedagogia Waldorf Ribeirão Preto, julho 2008) a proposta de se despertar a partir das questões sociais que já ecoam nas almas de professores; pistas do caminho a ser trilhado. Nesse sentido, jovens alunos, mobilizados pela importância que atribuem a esse despertar da comunidade, presentearam todos os participantes do Congresso com “esquetes”, nos intervalos do evento, culminando com uma apresentação teatral do poema “Eros e Psique” de F. Pessoa na noite cultural. Professores ainda tiveram a chance de participar da Oficina “Currículo Social” que aconteceu ao longo do Congresso. Foi distribuído a todos os participantes um livreto “A vocação social da Pedagogia Waldorf – da consciência à realização” que relata alguns passos dados na reflexão sobre um currículo social no contexto da Pedagogia Waldorf.
Lembrando o passado, a Pedagogia Waldorf nasceu e fez vida germinativa através do maior desafio que o homem pôde viver na pós-modernidade: o impulso social; aquele que dorme como a princesa de Fernando Pessoa dormia no balanço, no gramado, ou mesmo na árvore, esperando o infante lhe acordar... Ao despertar de dentro para fora, o mundo ganhou a virtude mais sagrada da era cristã: o amor.Nele vive a força, a coragem, a perseverança regeneradora; aquela que cada professor, cada homem, cada comunidade compartilha com a luta e o suor do dia a dia. Em cada ponta uma escola, uma ong, pessoas interessadas e atuantes se perguntavam:
Tantos relatos, experiências vividas hoje, ainda desconhecidas... Nesse Congresso foi possível olhar de frente para o desafio da nossa era, aquele que impulsionou a existência da pedagogia que tantos no mundo sintonizam; tornou-se real “tocar” na Trimembração do organismo social, ainda que o toque tenha sido tão rápido que nos deixou seu rastro. Escolas se abrindo para abraçar outra cultura (como o 7 o ano da E.W. Rudolf Steiner em contato com os índios Pataxós), envolvê-la em seus braços permitindo às crianças compreender que as diferenças podem e dever ser somadas. Essa prática possibilita ultrapassarmos o umbral do conhecimento chegando à conquista da liberdade; aquela em que o amor está presente, despojado de quaisquer obstáculos. Se voltarmos à cena das meninas-princesas, perceberemos que o segredo para a conquista desse umbral deve alcançar a virtude da paciência; não de forma passiva, mas sim de maneira ativa, vivaz, audaz e serena. Um dia será... Pode ser hoje. Que tal começar? Algumas perguntas que vivem entre nós A oficina “Currículo Social” contou com a participação de 25 educadores de 14 escolas e instituições do nordeste, centro-oeste e sudeste do país, acolhendo reflexões e perguntas que vivem entre os professores e entre todos da comunidade Waldorf (sejam alunos, funcionários ou pais):
São perguntas que incomodam e que precisam ganhar voz, ecoar ainda mais; que precisam se juntar a tantas outras que aguardam uma oportunidade de vir à luz, para que possamos enfrentá-las e transformá-las em ações e práticas que reflitam a vocação social da Pedagogia Waldorf, no seu refazer-se e re-significar-se cotidianos.
Referência Bibliográfica: HAHN, Herbert.O nascimento da Escola Waldorf a partir dos Impulsos da Trimembração do Organismo Social. Tradução: Rudolf Wiedmann . São Paulo: Federação das Escolas Waldorf, 2007. STEINER, Rudolf. Impulsos Sociais e Anti-Sociais no Ser Humano. Tradução: Sergio Correa e Fernando Silva. Dornach: Editora Rudolph Steiner. 2008. STEINER, Rudolf. Arte da Educação II (cap. Metodologia e Didática, 4 a palestra). Tradução: Rudolf Lanz. São Paulo: Editora Antroposófica, 2003. |
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